

Allan Kardec, no Livro dos Espíritos,
não esqueceu de interrogar sobre o amor maternal, na questão 890:
O amor maternal é uma virtude ou sentimento
instintivo, comum aos homens e aos animais?
- É uma coisa e outra. A Natureza deu
à mãe o amor pelos filhos, no interesse de sua conservação; mas no animal, esse
amor é limitado às necessidades materiais: cessa quando os cuidados se tornam
inúteis. No homem, ele persiste por toda a vida e comporta um devotamento e uma
abnegação que constituem virtudes; sobrevive mesmo a própria morte,
acompanhando o filho além da tumba. (...)

Qualquer que seja a razão para
reencarnar como mãe, deve-se lembrar do papel fundamental a ser exercido:
contribuir com a formação de seres humanos de BEM, lembrando-lhes sobre a
presença de Deus em nós e a imortalidade da alma. Isso, necessariamente, exige
que os filhos sejam ensinados a desenvolver autonomia, independência e
confiança em si mesmo. Mantê-los superprotegidos pode deixá-los incapazes para
enfrentar os desafios que a vida certamente, irá impor.
Quem são nossos filhos?
Nossos filhos são Espíritos que foram
atraídos ao agrupamento familiar, através dos laços da simpatia ou antipatia,
dependendo das necessidades de reajuste.
Qual sua função na família?

Questão
582 de O Livro dos Espíritos - pode-se considerar a paternidade uma missão? É
incontestavelmente uma missão. “É ao mesmo tempo um dever muito grande, e que
determina, mais do que o homem imagina, sua responsabilidade para o futuro.”
Trechos da Carta psicografada pelo médium Chico Xavier, assinada pelo espírito Manoel Francisco Neto, filho de Nair Bello, em 1977.
"Querida mamãe, meu pai, este é o momento do Mané criança e preciso pedir a bênção. Não sei muito bem como escrever aqui. A sala iluminada, muita gente, e o menino aqui, lembrando as provas do colégio. Se a memória não estiver funcionando corretamente, já sei que não consigo o que desejo. Acontece, porém, que tenho bons amigos, auxiliando-me a grafar esta carta.
Creiam vocês, a rapidez da escrita, o tipo da letra em grande parte pertencem a eles, à Vovó Maria e ao nosso amigo Dr. Trajano, mas o que escrevo, o que passo nas linhas caprichosas do lápis não é cola nem sopro de outras inteligências.
Mãezinha, é hora de chorar com vocês e afirmar que os sentimentos são meus mesmo, são de seu Manoel caladão, enfeitado de tantas ideias próprias e de tantas teimosias que fui até onde a rebeldia e a falta de comunicação me levaram.
Mãezinha e meu pai, fiz tudo para levantar o corpo, mas creio que o choque me alterou a circulação. Não estamos na hora de saber se rebentei alguma artéria importante ou se abri torneiras de sangue na cabeça intracrânio (vamos criar uma palavra que me ajude a recordar), mas o que é certo é que sou trazido até aqui para consolar-nos, uns aos outros.
Mamãe, isso tudo eu pensei com tantas saudades de você. Naquela hora precisava de sua alegria e de sua palavra para suportar o tranco, mas sem saber rezar, em silêncio, pedi a Deus nos abençoasse e não deixasse você e meu pai acreditarem em suicídio. Às vezes, o Mané casmurro que eu era, falava em mundo difícil de aguentar e fazia alguma referência que pudesse dar a ideia de que, algum dia, ainda forçaria o portão de saída da Terra.
Mas estejam convencidos de que o carro deslizou sem que eu pudesse controlá-lo. A visão não estava claramente aberta para mim, porque sentia em torno uma névoa grossa e a manobra infeliz veio fatal e com tamanha violência que a idéia de suicídio não devia vir à baila.
Isso tudo, eu compreendi muito depois, porque naquele instante estava pensando em Natal e em nossa viagem a Limeira. Não sei se recordam que eu demonstrava uma certa indecisão entre acompanhar a família ou ficar em nossa casa. Mas isso tudo era só de mentirinha porque, no fundo, eu queria seguir com todos.
Despertei não sei quando até hoje, e me senti à vontade, pedindo pela presença de meu pai para conversar. Queria preparar com ele um modo de atenuar os sustos em casa e sempre com a ideia fixa na viagem do Natal. Foi quando minha avó Maria e outra a quem ela deu o nome de dona Maria Angélica de Vasconcelos, me animaram para o conhecimento da verdade. A realidade é que eu estava completamente boiando no caos. Não conhecia ninguém.
E mamãe? Me informaram que você e meu pai, com os irmãos, estavam com a bênção de Deus e que eu não devia rebelar-me contra o acontecido. Mamãe, não adiantaria qualquer resposta agressiva de minha parte…
Então chorei como se nunca mais fosse a situação em que a morte nos colocava diante daqueles que mais amamos. As emoções me agravaram a condição de doente e debati-me numa febre que perdurou muito tempo. Febre em que a via alucinada de dor, com meu pai procurando reconfortá-la. Quem disse que a morte liquida tudo estava muito enganado. Nas alucinações ouvia os seus pensamentos: “O que terá você feito, filho? Manoel, conte para sua mãe a verdade! Fale se você não mais nos quis!”
E eu respondia explicando o acidente, mesmo cansado e abatido como estava via meu pai sofrer calado para não aumentar a tristeza em casa e ouvia os irmãos falando em festas de Natal e Ano Novo, com algumas pontas de ironia de quem não compreende a presença do sofrimento, nas horas em que mais pensamos em Deus.
Mas, melhorando, comecei a temer por você, Mãezinha. Sua alegria parecia morta, seu coração dava a ideia de uma noite fria e sem estrelas. Você pensava se valeria a pena ficar na Terra sem seu Mané casmurro. E tanto amor extravasava de seu coração para o meu, embora as distâncias de Espaço que não existem para os que se amam que, o teimoso de sempre, inclinei-me para a ideia de Deus e comecei a pedir por sua alegria e por sua vida. Papai e os nossos não poderiam ficar sem você e você não poderia vir antes do momento marcado.
Depois de algum tempo, passei a vê-la no espelho de minha visão ocupada com o teatro e Oduvaldo com muitos amigos auxiliando-a. Mãezinha, eu sabia que isso ia dar certo, porque você foi sempre a rainha do trabalho. Serviço nunca lhe deu medo e foi com muitas lágrimas de alegria que fui levado para abraçá-la em sua volta ao palco de paz e alegria. O trabalho diminuiu nossas penas, papai ficou mais calmo ao vê-la mais serena e toda a família reanimou-se. Perdoem-me se me estendi tanto. Não tenho pretensões de sintetizar.
Estou bem. Estou em outras faixas e agora menos introvertido. Estou aprendendo aquela ciência em que você e meu pai sempre me quiseram bem formado, a ciência do diálogo. Estou aprendendo a sair de mim mesmo e a ouvir para responder certo. Penso que consegui o que desejava: sossegar meu pai e minha mãe, acerca do acidente de que fui vítima.
Abraços na turma toda, começando por Aparecida e continuando nos irmãos. Diga, mamãe, a eles todos que estou melhor e com boas notas de renovação. Desejo a todos uma vida longa e muito feliz.
Obrigado, mamãe, por seus gestos de caridade pensando em mim. Esse agradecimento é extensivo ao meu caro papai. Minhas saudações aos seus e nossos companheiros de trabalho, especialmente aos que vieram com vocês até aqui. Um abração para todos de São Paulo e Limeira e vice-versa.
A RESPEITO DE SEU FILHO
Seu filho é flor em botão
nos verdes ramos da existência. Não lhe precipite o desabrochar, estiolando-lhe
a vitalidade espontânea.
Seu filho é discípulo da
existência. Não lhe cerceie a produtividade, tomando sobre os seus ombros os
misteres que lhe competem.
Seu filho é lâmpada em
crescimento de luz. Não lhe coloque o óleo vicioso da bajulação para que não
afogue o pavio onde crepita a chama da esperança. Seu filho é fruto em formação para o futuro. Não procure
colher, antes do tempo, o benefício que lhe não pertence. Lembra-se, mãe
devotada que você é, que o seu filho é também filho de Deus.
Você poderá caminhar ao
seu lado na estrada apertada, mas ele só terá honra quando conseguir chegar ao
objetivo conduzido pelos próprios pés.
Você tem o dever de lhe
apontar os abismos à frente; mas a ele compete contornar os obstáculos e descer
às baixadas da existência para testar a fortaleza do próprio caráter.
Você deve ministrar-lhe o
sustento do Evangelho; mas a ele compete o murmúrio as orações, na prece
continuada das ações nobres.
Seu filho é o discípulo
amado que Deus pôs ao alcance do seu coração enternecido, no entanto, a sua
tarefa não pode ir além daquele amor que o Pai propicia a todos, ensinando ao
tempo, corrigindo na luta, e educando através da disciplina na e para a felicidade.
Mostre-lhe a vida, mas
deixe-o viver. Fale-lhe das trevas, mas dê-lhe a luz do conhecimento.
Mande-o à escola, mas
faça-se mestra dele no lar. Apresente-lhe o mundo, mas deixe-o construir o
próprio mundo.
Tome-lhe as mãos e
ponha-as no trabalho, ensinando com o seu exemplo, mas não lhe desenvolva a
inutilidade, realizando as tarefas que lhe competem.
Seu filho é vida da sua
vida que vai viver na vida da Humanidade inteira.
Cumpra o seu dever
amando-o, mas exercite o seu amor ensinando-o a amar e fazendo que no serviço
superior ele se faça um homem para que o possa bendizer, mais tarde.
Ame, em seu filho, o filho
de todas as mães e ame nos filhos das outras o seu próprio filho, para que ele,
honrado pelo amor das outras mães, possa enobrecer o mundo, amando outros
filhos.
Seu filho é semente
divina; não lhe negue, por falso carinho, a cova escura da fertilidade,
pretextando devotamento, porque a semente que não morrer jamais será fonte de
vida.
Mãe! Seu filho é a
esperança do mundo; não o asfixie no egoísmo dos seus anelos, esquecendo-se de
que você veio à Terra sem ele e retornará igualmente a sós, entregando-o a Deus
consoante as leis sábias e justas da Criação.
(Crestomatia da
Imortalidade – Divaldo Franco – Espíritos Diversos)