Os deveres dos cristãos com a Pátria e
as eleições
Inegavelmente, a democracia é uma das grandes conquistas
do processo evolutivo, tendo sua origem na Grécia, em 508 a.C., quando
Clístenes propôs que cada cidadão tivesse direito a um voto nas questões
políticas a serem deliberadas. Surgiu, ainda, a “Bulé”, que era um conselho
composto por quinhentas pessoas com mais de trinta anos, modificado anualmente,
que constituía a base do novo sistema. Infelizmente, ainda vemos a tirania, a
opressão e a ditadura em alguns países, que são filhas do orgulho e do egoísmo,
mas com o melhoramento moral da humanidade, já que vivenciamos a transição
planetária, notaremos que a democracia, quiçá mais aprimorada, atingirá,
gradativamente, todas as nações.
Anote-se que à medida que o indivíduo amadurece moral e intelectualmente, ele
se torna um cidadão consciente e nobre, preocupado com a sociedade onde vive,
saindo da indiferença para a ação construtiva na área do bem e da paz.
Não podemos mais ignorar
que temos responsabilidades com a Pátria, colaborando para a resolução dos
problemas vigentes. Poderemos, por exemplo, participar das denominadas
“Associações de Bairro”, levando até o poder público as necessidades do bairro
onde moramos; criar ou participar de ONG´s que visem ao bem comum; participar
de entidades que fiscalizem o uso da verba pública; integrar os Conselhos
Municipais, que ajudam nas políticas públicas do município etc. Atuar na cidade
onde se vive é trabalhar pela Pátria, pelo nosso querido Brasil, e, por
consequência, por um mundo melhor. Frise-se que o clímax da democracia é o
processo eleitoral, quando poderemos atuar como eleitores e candidatos.
O cristão tem que estar
consciente dessa participação no processo eleitoral, pois, como eleitor, irá
eleger os representantes dos poderes executivo e legislativo, nas três esferas
de atuação (municipal, estadual e nacional). Temos que nos informar acerca dos
candidatos, de suas propostas, e votarmos naqueles que atendam às nossas
aspirações de um mundo melhor, jamais vendendo nossos votos ou permitindo que
outros interesses norteiem as nossas escolhas.
Não podemos afirmar que
todos os candidatos são descompromissados com o bem, pois certamente haverá
aqueles que desejam colaborar com o melhoramento da sociedade. Tenhamos
paciência para ouvir as propagandas políticas e conhecer melhor os candidatos. Caso
os candidatos eleitos não cumpram com a promessa, certamente estarão assumindo
débitos perante as leis divinas, mas nós, os eleitores, temos que fazer a nossa
parte, permanecendo com a consciência em paz.
Penso que o cristão
consciente não deve anular ou votar em branco, desperdiçando a oportunidade de
trabalhar pela Pátria. Caso não encontre nenhum candidato, pelo menos vote na
legenda partidária, porque haverá partidos políticos que mais se aproximem das
nossas ideologias.
Refletindo um pouco sobre
o outro lado – o do candidato – muito se fala que não se deve misturar política
com religião. Particularmente, interpreto essa frase como o dever de não
fazermos propagandas políticas dentro dos templos religiosos, porque nesse
local estamos buscando a conexão com Deus, cabendo a cada cristão a tarefa de
escolher o seu candidato. Todavia, isso não significa que o cristão não possa
ser candidato. Alguns dizem que há tanta corrupção na política que não vale a
pena se infiltrar nesse meio. Certa feita, ouvi a seguinte frase de um amigo
espírita: “Os maus ocupam os espaços que os bons deixam”. Essa frase aplica-se
à política. Se as pessoas de bem optarem por não se envolver na política, os
maus políticos preencherão esses espaços. Outros dirão, serei apenas um no meio
de muitos corruptos, de forma que nada poderei realizar.
Jesus disse que enviava
os cristãos para as tarefas do bem como cordeiros no meio de lobos. Cabe-nos,
como candidato eleito, sermos cordeiros do bem, usando dos meios éticos e
lícitos para combater as ilegalidades vigentes, sem temer qualquer represália,
agindo sempre em prol do interesse coletivo. Na seara espírita, tivemos
notáveis candidatos, que não se omitiram na tarefa de dar suas contribuições
pessoais na área da política. Citamos Adolfo Bezerra de Menezes Cavalcanti
(Vereador e Deputado Provincial) e Cairbar Schutel (Vereador e Prefeito).
O homem mais moralizado,
que gerará eleitores e candidatos mais conscientes do bem, fomentará o
surgimento de sistemas políticos mais nobres. Vejamos a observação do Espírito
Vianna de Carvalho na obra “Atualidade do Pensamento Espírita”, psicografada
por Divaldo Pereira Franco.
“Certamente, o homem
melhor, mais desenvolvido moral e intelectualmente, apoiado na tecnologia que o
impulsiona para a frente, criará sistemas políticos compatíveis com os ideais
que abraça, as aspirações que acalenta e os labores que realiza. A política tem
sido instrumento mal utilizado por homens e mulheres ambiciosos, esquecidos dos
valores éticos, salvadas as exceções compreensíveis. Quando se entenda que a
política é poderoso instrumento de construção da sociedade, e se esteja
moralmente adiantado para colocar em plano secundário os interesses pessoais,
zelando pelos coletivos, serão criados novos sistemas e métodos de trabalho que
elaborarão regimes justos e nobres, que atendam as necessidades do povo, sempre
preterido, desrespeitado e oprimido através da História.”
Contagiados pelo
evangelho do Cristo e imbuídos da tarefa de construirmos um mundo mais
moralizado e digno, não nos furtemos às responsabilidades com a Pátria. Atuemos
com coragem e ousadia, seja nas questões eleitorais, seja nas ações sociais e
do bem comum, tendo Jesus como modelo e guia, e o amor como alimento da alma.
Alessandro Viana Vieira de Paula
Fonte: Revista O Reformador
(Setembro de 2014)