sexta-feira, 11 de maio de 2018

Dia das Mães 2018- Mensagem


   ❤️ Dia das Mães ❤️

                                                     


Domingo (13/05/2018), celebramos o dia daquela grande mulher que, através de sua barriga e/ou seu amor, nos deu a vida- nossa amada mãe. Mãe de coração, mãe amiga, mãe coruja, mãe avó... Simplesmente MÃE!



Nosso querido Divaldo Franco tem uma mensagem especial:






O Lar Espírita Assistencial Irmão Fabiano de Cristo deseja um





domingo, 29 de abril de 2018

ESPIRITISMO E POLÍTICA - CONTRIBUIÇÕES




A política, embora considerada um tema polêmico, é merecedora de nossa atenção, pois é através de sua prática que buscamos o aprimoramento de uma sociedade mais justa e sua organização. Vamos apurar algumas considerações de cada um destes queridos irmãos acerca do assunto?




Chico Xavier

 




Divaldo Franco





Haroldo Dutra Dias





 Gostaria de ler mais sobre este tema? O nosso Posto de Livros tem uma dica:





A obra Espiritismo e política: contribuições para a evolução do ser e da sociedade representa mais um esforço de Aylton Guido Coimbra Paiva para conscientizar o leitor quanto à real e crescente oportunidade de influência da Doutrina Espírita sobre a ordem social. O texto está em concordância com os princípios fundamentais de nossa Doutrina. Constitui uma efetiva contribuição para o estudo, a prática e a divulgação do Espiritismo. A originalidade da obra está amparada pela publicação, em 1982, do livro do mesmo autor intitulado Espiritismo e política, DICESP — Divulgação Cultural Espírita S/C Editora. A linguagem utilizada é bastante simples e clara, ao alcance da generalidade dos leitores que buscam as obras espíritas.
O autor procura demonstrar que, “sob o aspecto filosófico, o Espiritismo tem muito a ver com a Política, já que esta deve ser a arte de administrar a sociedade de forma justa”. Segundo ele, a proposição espírita da lei do progresso é um intenso e profundo desafio para que trabalhemos pela evolução intelectual e moral da humanidade. Com tal objetivo, o espírita deve estimular a sociedade humana a fim de que haja hábitos espiritualizados, desenvolvimento da inteligência e elaboração de leis justas, em benefício de todos.
Existe, pois, uma inequívoca contribuição política que o Espiritismo oferece à sociedade, a fim de que se estruture, se organize e trabalhe alicerçada na verdade, na justiça e no amor.
Não se trata de estimular o leitor a participar da política partidária, nem também de afirmar que o espírita deve ou não deve participar, como membro atuante, de uma organização política. Trata-se, simplesmente, de reconhecer o direito de que, como membro de uma sociedade, o espírita escolha, livremente, a sua contribuição para que as relações humanas sejam, progressivamente, melhoradas no sentido da paz, da justiça e do amor fraternal.
Permitimo-nos recordar que reconhecidos trabalhadores do movimento espírita desempenharam, com méritos, atividades políticas junto aos poderes públicos. Citaremos apenas três deles:
1. Cairbar Schutel – Conhecido como o “Bandeirante do Espiritismo”, fundador da Revista Internacional de Espiritismo – RIE (1925), do jornal O Clarim (1905) e da editora do mesmo nome. Na inauguração do seu Memorial ocorrida em 13 de novembro de 2013, foi feita referência aos documentos que mostram o trabalho político/social desenvolvido na cidade de Matão, da qual foi seu primeiro prefeito. Como um dos pioneiros do Movimento Espírita no Brasil, Cairbar Schutel afirma, em publicação da RIE, em 1929, que “Em política, em ciência e em religião, só há um norte a seguir, a verdade”.
2. José de Freitas Nobre – Advogado e jornalista nascido em fortaleza. Em São Paulo, foi vereador, vice-prefeito e eleito deputado federal, exemplificando, na política, honestidade e retidão de caráter. Publicou três livros espíritas e foi fundador e editor durante vinte e seis anos da Folha Espírita, jornal que circula até nossos dias.
3. Adolfo Bezerra de Menezes – Conhecido como o “Médico dos pobres” e como o “Kardec brasileiro”, foi Presidente da Federação Espírita Brasileira em 1889 e de 1895 a 1900. Conheceu o Espiritismo em 1872. Nessa época já havia iniciado sua trajetória política, que se estendeu até 1885. Cargos ocupados: Vereador, Presidente da Câmara Municipal da Corte e Deputado Geral, tendo sempre agido em favor da justiça e da honestidade. Citado por Freitas Nobre em 1981, Bezerra de Menezes teria afirmado: “Para nós, a política é a ciência de criar o bem de todos, e nesse princípio nos firmaremos”.
Apoiado na moral evangélica e sem comprometer-se com legendas ou organizações partidárias, o Movimento Espírita pode contribuir, no campo das ideias, para a solução dos problemas políticos e sociais que surgem, naturalmente, no processo da evolução planetária.
Seria oportuno, neste momento, recordar a afirmação de Kardec no capítulo XVIII, item 25, de A gênese, obra editada em 1868:
O Espiritismo não cria a renovação social; a madureza da humanidade é que fará dessa renovação uma necessidade. Pelo seu poder moralizador, por suas tendências progressistas, pela amplitude de suas vistas, pela generalidade das questões que abrange, o Espiritismo é mais apto do que qualquer outra doutrina, a secundar o movimento de regeneração, por isso, é ele contemporâneo desse movimento.
Aylton Paiva apoia-se, como dissemos no início desta apresentação, nos fundamentos da Doutrina Espírita, quando enfatiza que a participação do espírita no processo político, social, cultural e econômico deve ser consciente e responsável, tendo como diretriz os princípios e normas contidos em O livro dos espíritos.

Fonte: http://www.febnet.org.br








ACOM - Lar Espírita Assistencial Irmão Fabiano de Cristo



quarta-feira, 18 de abril de 2018

DATA DE LANÇAMENTO DE "O LIVRO DOS ESPÍRITOS"


                O PRIMEIRO LIVRO DOS ESPÍRITOS E A IMPRENSA PARISENSE


            A 18 de abril de 1857 era lançada em Paris, na França, a primeira edição de O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, que, mesmo não sendo a edição definitiva, tornou-se um marco na História do Espiritismo.
            Com tiragem de 1.200 exemplares foi impressa na Imprimerie de Beau, à rua de Paris, 80, em Sait-Germain-em-Laye, a cerca de 20km da capital.
            Lançamento, exposição e venda ocorreram na Livraria Dentu, de propriedade do livreiro e editor Edouard Dentu, renomada casa comercial, com endereço na movimentada Galerie d’Orléans, n. 13, do Palais-Royal.
            Mesmo sendo uma obra de conteúdo invulgar, a imprensa da capital francesa, talvez até por conta dos 12.019 títulos editados naquele ano, deu pouca importância ao seu aparecimento, o qual não foi precedido de nenhuma divulgação.

            O Journal Amusant: jornal ilustré, de 23 de maio de 1857, com o título de “Mania dos Espíritos”, noticia: “Eis que chega primeiramente um volume intitulado O Livro dos Espíritos, contendo os princípios da Doutrina Espírita, sobre a natureza dos Espíritos, sua manifestação e suas relações com os homens, etc., escritos sob o ditado de publicado por ordem de Espíritos Superiores, por Allan Kardec. Este Allan Kardec, digo-vos confidencialmente, não passa de um pseudônimo de fantasia, adotado para as necessidades da causa, pelo Sr. D... R... que ocupava outrora um lugar importante numa de nossas administrações teatrais.”
            Eis os termos nos quais os Espíritos deram por escrito ao Sr. Allan Kardec, e por intermédio de diversos médiuns, a missão de escrever este livro:
“Ocupa-te com zelo e perseverança do trabalho que empreendeste com a nossa participação. Este trabalho também é nosso; nós o revisaremos juntamente; mas sobretudo, quando a obra estiver terminada, lembra-te de que nós te ordenamos imprimi-la e propagá-la.”
O Le monde Illustré: jornal, de 13 de junho de 1857, no espaço destinado a críticas de livros – o Boletim Bibliográfico – assinado por Delaunay, tece os seguintes comentários: “O livro dos Espíritos, contendo os princípios da Doutrina Espírita sobre a natureza dos Espíritos, sua manifestação e suas relações com os homens; as leis morais, a vida presente, a vida futura e o porvir da Humanidade, escrito sob o ditado dos Espíritos Superiores, por Allan Kardec, como indica o seu título, foi escrito com vistas a estabelecer os fundamentos da verdadeira Doutrina Espírita, liberada dos erros e dos preconceitos; ele não contém nada que não seja a expressão de seu pensamento e que não tenha sofrido o controle dos Espíritos Superiores. Entre os Espíritos que quiseram manifestar-se à pessoa que assina Allan Kardec, nota-se João Evangelista, São Vicente de Paulo, Hahnemannm, Franklin, Swedenborg e Napoleão I, que praticaram a virtude e a sabedoria, os outros não pertencem, por seu nome, a nenhuma personagem de que a História tenha guardado a lembrança.
Os princípios contidos neste livro foram coordenados de maneira a apresentar um conjunto regular e metódico sobre a nova Doutrina Espírita ou o Espiritismo, a qual consiste na crença das relações do mundo material com os Espíritos do mundo invisível. Os adeptos do Espiritismo serão, portanto, os espíritas ou espiritistas.
O Sr. Kardec coordena os princípios da ciência de maneira a nos edificar sobre a nova Doutrina Espírita, isto é, sobre a crença de que devemos ter a possibilidade de conhecer o mundo imaterial por meio dos Espíritos invisíveis. A bem da verdade, nós não compreendemos em absoluto nem as teorias nem os fatos apresentados pelo Sr. Kardec; mas isso decorre, do materialismo de nossa pobre inteligência.”
(Texto de José Jorge Leite de Brito –  Alguns tópicos da Revista Reformador – Outubro, 2017.)

Refletindo sobre a importância desta obra para a Humanidade, reproduzimos duas questões das edições atuais para uma reflexão:


Pergunta nº 1: Que é Deus?
- Deus é a inteligência suprema, causa primeira de todas as coisas.

Pergunta 1019: Poderá jamais implantar-se na Terra o reinado do bem?
- “O bem reinará na Terra quando, entre os Espíritos que a vêm habitar, os bons predominarem, porque, então, farão que aí reinem o amor e a justiça, fonte do bem e da felicidade. Por meio do progresso moral e praticando as leis de Deus é que o homem atrairá para a Terra os bons Espíritos e dela afastará os maus. Estes, porém, não a deixarão, senão quando daí estejam banidos o orgulho e o egoísmo.
“Predita foi a transformação da Humanidade e vos avizinhais do momento em que se dará, momento cuja chegada apressam todos os homens que auxiliam o progresso. Essa transformação se verificará por meio da encarnação de Espíritos melhores, que constituirão na Terra uma geração nova. Então, os Espíritos dos maus, que a morte vai ceifando dia a dia, e todos os que tentem deter a marcha das coisas serão daí excluídos, pois que viriam a estar deslocados entre os homens de bem, cuja felicidade perturbariam. Irão para mundos novos, menos adiantados, desempenhar missões penosas, trabalhando pelo seu próprio adiantamento, ao mesmo tempo que trabalharão pelo de seus irmãos ainda mais atrasados. Neste banimento de Espíritos da Terra transformada, não percebeis a sublime alegoria do Paraíso perdido e, na vinda do homem para a Terra em semelhantes condições, trazendo em si o gérmen de suas paixões e os vestígios da sua inferioridade primitiva, não descobrir a não menos sublime alegoria do pecado original? Considerado deste ponto de vista, o pecado original se prende à natureza ainda imperfeita do homem que, assim, só é responsável por si mesmo, pelas suas próprias faltas e não pelas de seus pais.
“Todos vós, homens de fé e de boa vontade, trabalhai, portanto, com ânimo e zelo na grande obra que houverdes semeado. Ai dos que fecham os olhos à luz! Preparam para si mesmos longos séculos de trevas e decepções. Ai dos que fazem dos bens deste mundo a fonte de todas as suas alegrias! Terão que sofrer privações muito mais numerosas do que os gozos de que desfrutaram! Ai, sobretudo, dos egoístas! Não acharão quem os ajude a carregar o fardo de suas misérias!”  (Espírito São Luís).

E o último parágrafo da Conclusão de O Livro dos Espíritos, temos o conselho do Espírito Santo Agostinho:


“Por muito tempo, os homens têm se dilacerado mutuamente e anatematizado em nome de um Deus de paz e de misericórdia, ofendendo-o com tal sacrilégio. O Espiritismo é o laço que os unirá um dia, porque lhes mostrará onde está a verdade e onde está o erro. Mas haverá por muito tempo ainda escribas e fariseus que o negarão, como negaram o Cristo. Quereis, saber, pois, sob a influência de quais Espíritos estão as diversas seitas que entre si dividem o mundo? Julgai-as pelas suas obras e pelos seus princípios. Jamais os bons Espíritos foram os instigadores do mal; jamais aconselharam ou legitimaram o homicídio e a violência; jamais excitaram os ódios dos partidos nem a sede de riquezas e de honras, nem a avidez dos bens da Terra. Só aqueles que são bons, humanos e benevolentes para com todos, são os seus preferidos e são também os preferidos de Jesus, porque seguem o caminho que lhes indicou para chegarem até ele.”







sábado, 31 de março de 2018

PÁSCOA: PERSPECTIVA ESPÍRITA

O que o Espiritismo diz sobre a Páscoa? 





Esta pergunta é feita por diversos simpatizantes e/ou interessados que buscam explicações dentro de nossa Doutrina. Em vista disto, apresentamos a explanação do assunto por Divaldo Franco, nosso querido e sempre lembrado irmão de caminhada. 











DESENCARNAÇÃO DE ALLAN KARDEC

31 de março de 1869: desencarnação de Allan Kardec.





Neste dia 31, completam-se 149 anos do retorno de nosso amado codificador à pátria espiritual. Em homenagem a esta data tão lembrada pelo movimento espírita, apresentamos um vídeo no qual o irmão Haroldo Dutra Dias faz uma súmula de sua trajetória até sua desencarnação.
















segunda-feira, 12 de março de 2018

REVISTA REFORMADOR 01/2018: SESQUICENTENÁRIO "A GÊNESE"



1868

 Sesquicentenário 2018 


A gênese Os milagres e as predições segundo o espiritismo


Marta Antunes Moura 
martaantunes@febnet.org.br
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     Os espíritas comemoramos este ano o sesquicentenário de A gênese, os milagres e as predições segundo o Espiritismo, a última obra do pentateuco espírita que fecha com chave de ouro o conhecimento básico transmitido pelos Espíritos da falange do Espírito de Verdade. 
       Publicada por Allan Kardec a 6 de janeiro de 1868, em Paris, a obra se revela, de certa forma, diferente das demais. Primeiro porque o livro trata de três assuntos aparentemente antagônicos (gênese, milagres e predições); segundo, porque o Codificador consegue, com maestria e lucidez intelectual, definir como interpretar as ideias espíritas por meio de uma unidade metodológica, analisadas sob a óptica da fé raciocinada. Valendo-se do aspecto científico da Doutrina Espírita, Kardec ensina como entender e aplicar as práticas do Espiritismo, as suas orientações filosóficas e as suas consequências morais. Não é pouco! 
     Outra não há de ter sido a razão que conduziu Kardec a inserir na Folha de rosto da obra a seguinte sentença: A Doutrina Espírita é o resultado do ensino coletivo e concorde dos Espíritos. A Ciência é convidada a constituir a Gênese segundo as Leis da Natureza. Deus prova a sua grandeza e seu poder pela imutabilidade das suas leis, e não pela derrogação delas. Para Deus, o passado e o futuro são o presente.¹ 

     Allan Kardec registra relevantes ponderações na Introdução de A gênese, os milagres e as predições segundo o espiritismo que merecem ser lembradas. Destacamos as que se seguem: 

Essa obra é um passo a mais no terreno das consequências e das aplicações do Espiritismo. Conforme indica o seu título, ela tem como objetivo o estudo dos três pontos até agora diversamente interpretados e comentados: A gênese, os milagres e as predições, em suas relações com as novas leis que decorrem da observação dos fenômenos espíritas. Dois elementos, ou, se quiserem, duas forças regem o Universo: o elemento espiritual e o elemento material. Da ação simultânea desses dois princípios resultam fenômenos especiais que se tornam naturalmente inexplicáveis, desde que se abstraia de um deles [...]. Ao demonstrar a existência do Mundo Espiritual e suas relações com o mundo material, o Espiritismo fornece a explicação de uma imensidade de fenômenos incompreendidos e, por isso mesmo, considerados inadmissíveis por parte de certa classe de pensadores [trabalhadores]. Embora as Escrituras estejam repletas de tais fatos, seus comentadores não conseguiram chegar a uma solução racional, visto desconhecerem a lei que os rege. [...]. [...] Essa solução se encontra na ação recíproca do espírito e da matéria [...].² 

     Um ponto relevante, enfatizado na Introdução do livro e explicitamente analisado no capítulo primeiro da obra, diz respeito ao Caráter da revelação espírita.³ O espírita esclarecido, atento à necessidade de melhor conhecer a Doutrina Espírita, deve aprender como desenvolver o adequado discernimento doutrinário. Neste sentido, é de suma importância saber distinguir o falso e o verdadeiro que podem aparecer nas manifestações dos Espíritos, ou tudo o que pode gerar conflitos com os postulados espíritas. As ideias e práticas equivocadas que assaltam o Movimento Espírita têm como origem o despreparo doutrinário do espírita, tanto por parte do encarnado quanto do desencarnado. 
     Eis o que Kardec tem a dizer sobre o assunto na Introdução da obra: 

Antes de entrarmos na matéria, pareceu-nos necessário definir claramente os papeis respectivos dos Espíritos e dos homens [encarnados] na elaboração da nova doutrina. Essas considerações preliminares, que dela afastam toda ideia de misticismo, fazem o objeto do primeiro capítulo, intitulado Caráter da revelação espírita. Pedimos séria atenção para este ponto, porque, de certo
modo, aí está o nó da questão.4

     O conhecimento do caráter da revelação espírita nos fornece subsídios para compreender o verdadeiro significado de revelação; o duplo caráter da revelação espírita que “[...] participa ao mesmo tempo da revelação divina e da revelação científica [...]”;e, principalmente, esclarece a respeito da universalidade e da unidade dos ensinos espíritas que, focados à luz das consequências morais referenciadas pelo Cristo em seu Evangelho, transforma o ser humano para melhor. 
     Muitos desentendimentos seriam evitados se buscássemos a segurança de aplicar os critérios do caráter da revelação espírita nas ideias, interpretações e mensagens que abundantemente surgem no meio espírita, geradoras de desconfortos e perturbações variadas. Aliás, nestes tempos da transição planetária, as desarmonias manifestadas – sejam de natureza mediúnica ou anímica – representam uma estratégia habilmente utilizada pelos Espíritos perturbados e perturbadores, encarnados ou desencarnados, que agem com a finalidade de desestabilizar o trabalho espírita e do Bem na face do planeta. E não nos iludamos, pois tais Espíritos assim procedem porque encontram ressonância de suas ideias e atitudes comportamentais no trabalhador espírita que, a despeito do amor à Causa, desconhece ou pouco conhece a Doutrina que professa. 
     Em mensagem datada de dezembro de 1867, o Espírito São Luís faz referência ao livro A gênese, os milagres e as predições segundo o espiritismo, então prestes a ser publicado: 

Esta obra vem a propósito, no sentido de que a Doutrina está hoje bem firmada do ponto de vista moral e religioso. Seja qual for a direção que tome doravante, tem raízes muito profundas no coração dos adeptos, para que ninguém possa temer se desvie ela de sua rota. [...] O Espiritismo atualmente entra numa nova fase. Ao atributo de consolador alia o de instrutor e diretor do espírito, em ciência e em filosofia, como em moralidade. A caridade, sua base inabalável, dele fez o laço das almas eternas; a Ciência, a solidariedade, a progressão, o espírito liberal dele farão o traço de união das almas fortes. [...] por esse livro, como vos disse, o Espiritismo entra numa nova fase e esta preparará as vias da fase que se abrirá mais tarde. [...].6


     Inserimos, a seguir, trechos de duas mensagens transmitidas por Espíritos que colaboraram na elaboração desta última obra da Codificação Espírita. A primeira, recebida em Ségur, 9 de setembro de 1867, contém esta informação: 

Pessoalmente, estou satisfeito com o trabalho [o de elaboração do livro], mas a minha opinião é de pouca valia, levando-se em conta a satisfação daqueles a quem ela transformará. O que, sobretudo, me alegra são as consequências que produzirá sobre as massas, tanto no Espaço quanto na Terra.7

     A segunda mensagem, transmitida em Paris, 4 de julho de 1868, afirma: 

[...] Está apenas no começo a impulsão que A gênese produziu e muitos elementos, abalados por ela, se acomodarão, dentro em pouco, sob a tua bandeira. Outras obras sérias também aparecerão para acabar de esclarecer o juízo humano sobre a nova doutrina.8


     A gênese, os milagres e as predições segundo o espiritismo é, portanto, uma obra que define o papel da Ciência e do Espiritismo no concerto das Leis Divinas que regem a vida: “Assim como a Ciência propriamente dita tem por objeto o estudo das leis do princípio material, o objeto especial do Espiritismo é o conhecimento das leis do princípio espiritual. [...]”.9
Por enquanto, Ciência e Doutrina Espírita seguem caminhos distintos, salvo algumas manifestações de integração observadas aqui e acolá. Mas como em tudo há um propósito divino, cedo ou tarde acontecerá a aliança definitiva entre ambas. 

 [...] O Espiritismo e a Ciência se completam reciprocamente; a Ciência, sem o Espiritismo se acha na impossibilidade de explicar certos fenômenos só pelas leis da matéria; ao Espiritismo, sem a Ciência, faltariam apoio e comprovação. O estudo das leis da matéria tinha de preceder o da espiritualidade, porque a matéria é que primeiro fere os sentidos. Se o Espiritismo tivesse vindo antes das descobertas científicas, teria malogrado, como tudo quanto surge antes do tempo.10


Formatação da obra

 Os três primeiros capítulos da obra intitulados: Caráter da revelação espírita, Deus, e O bem e o mal, são fundamentos para o adequado entendimento do livro, em particular e da Doutrina Espírita, em geral. Como foi dito anteriormente, é imprescindível que o espírita não se descure da importância do Caráter da revelação espí- rita (capítulo I), cujos ensinos foram transmitidos por Espíritos orientadores que agem sob a orientação do Cristo, Guia e Modelo da humanidade terrestre.11 Deus, anunciado no capítulo 2, revela o pensamento cristalino dos Espíritos Superiores sobre Deus, a natureza divina, a providência e a visão espírita de Deus. Isto é, livre dos equívocos que certas interpretações religiosas e manifestações teológicas imprimiram na mentalidade humana, ao longo dos tempos. O bem e o mal, apresentado no capítulo 3, revela o traçado evolutivo do Espírito que, encarnado simples e ignorante, apresenta intrinsecamente todas condições para se transformar em Espírito puro, por intermédio das experiências adquiridas na fieira das reencarnações e nos aprendizados desenvolvidos no Plano Espiritual. O capítulo apresenta também elucidações a respeito do bem e do mal, dos processos evolutivos do instinto e da inteligência, assim como dos fenômenos de destruição, naturais e abusivos, condições de aprendizagem que se assemelham a degraus ascensionais que o Espírito deve percorrer em sua árdua jornada a caminho da Luz, que é Deus. Chegado a esse patamar evolutivo, o Espírito imortal, à semelhança de Jesus, poderá então afirmar convictamente: “Eu e o Pai somos um” (João, 10:30) . 
     Esses três primeiros capítulos devem ser considerados, portanto, como uma espécie de base, fundação ou alicerces do edifício em que a obra está erigida. Os demais capítulos estão agrupados em um conjunto harmonioso, assim expresso: 

1. A gênese segundo o Espiritismo

     Sob esta denominação, a primeira parte do livro expõe úteis informações sobre: a formação dos mundos e da Terra; a pluralidade dos mundos habitados; a origem, organização e transformações dos seres vivos (orgânicos) do planeta tendo como base as inúmeras aquisições realizadas pelo princípio inteligente ou espiritual ao longo das eras, e nos dois planos da vida; a criação do Espírito e da humanidade terrestre. 
     Enfim, estes e outros temas similares são apresentados na forma metodológica da visão sistêmica – que está mais desenvolvida nos dias atuais –, delineando-se, portanto, o encadeamento de todo o processo evolutivo, geral e particular dos astros, mundos e seres da Criação. 

2. Os milagres segundo o Espiritismo

 Assim nomeada, a segunda parte do livro começa por explicar, à luz da fé raciocinada professada pelo Espiritismo, o que é milagre, inclusive no sentido teológico; em seguida há esclarecimentos a respeito da visão espírita sobre o termo milagre que, ao se apoiar no aspecto científico, demonstra que o comumente denominado sobrenatural e maravilhoso, tão a gosto de algumas manifestações religiosas, confunde e perturba a ordem natural do progresso humano. 
     O capítulo 14 - Os fluidos, é de fundamental importância para a prática espírita, usual nas casas espíritas do passado e do presente. Trata da natureza e qualidade dos fluidos e das energias radiantes, oriundas do princípio vital; a formação e propriedades do perispírito, subproduto do fluido cósmico universal,12 estrutura semimaterial formadora do corpo físico, altamente plástica, cuja constituição íntima é diferente em cada pessoa e se modifica e se ajusta às aquisições consequentes do progresso do Espírito.13
 Este capítulo também informa a respeito da ação dos Espíritos e das criações fluídicas, úteis no entendimento do controle mental e da emissão e recepção do pensamento. Os exemplos que ilustram a ação dos Espíritos sobre os fluidos são retirados do Evangelho, em 8 Reformador | Janeiro de 2018 7 que se encontra o relato de diferentes fenômenos, até então considerados sobrenaturais, tais como: visão psíquica (dupla vista), as curas, aparições, catalepsias, ressurreição etc. 
    O capítulo 15 – Os milagres do Evangelho, último capítulo da segunda parte, apresenta beleza e grandeza espirituais significativas, encantando o leitor atento que passa a compreender nitidamente, à luz da fé raciocinada espírita, os milagres do Evangelho. 

3. As predições segundo o Espiritismo 

     A última parte desta admirável obra da Codificação está formatada em três capítulos, a saber: Teoria da presciência ou o conhecimento do futuro, faculdade psíquica do ser humano amplamente manifestada e conhecida ao longo da história da civilização humana, expressa nos profetas e médiuns; Predições do Evangelho, que analisam as predições de Jesus para a humanidade terrestre, especialmente as informações sobre os sinais precursores da fase de transição planetária (it. Sinais precursores) e sobre o juízo final (it. Juízo final), continuamente assinaladas por religiosos ainda prisioneiros de interpretações literais; e Os tempos são chegados, último capítulo do livro, que deveria ser leitura obrigatória para todos os espíritas, pois elucida acerca das mudanças ocorridas na sociedade, sob o impulso da Lei do Progresso e da Lei de Causa e Efeito, as características fisionômicas e espirituais que se refletem no homem moralizado, apto a viver em um mundo melhor, livre das expiações. 

     Por último, merece considerar que A gênese, os milagres e as predições segundo o espiritismo foi construída a partir de O livro dos espíritos, a coluna central do Espiritismo, no dizer do respeitável baiano Deolindo Amorim (1906–1984), jornalista, sociólogo, publicitário, escritor e conferencista espírita brasileiro, tal como aconteceu com as demais obras da Codificação Espírita (O livro dos médiuns, O evangelho segundo o espiritismo e O céu e o inferno). 
     Os conteúdos doutrinários espíritas de A gênese, os milagres e as predições segundo o espiritismo foram desenvolvidos por Allan Kardec sob a segura orientação da equipe dos Espíritos orientadores, a partir dos seguintes tópicos de O livro dos espíritos:

 • Livro Primeiro: Causas primeiras, capítulos 2 – Elementos gerais do Universo, 3 – Criação e 4 – Princípio vital; 
• Livro Segundo: Mundo Espiritual ou dos Espíritos, capítulos 9 – Intervenção dos Espíritos no mundo corpóreo, 10 – Ocupações e missões dos Espíritos e 11 – Os três reinos
• Livro Terceiro: Leis morais, capítulos 4 – III. Lei de reprodução e 5 – IV. Lei de conservação. 





REFERÊNCIAS: 
1 KARDEC, Allan. A gênese. Trad. Evandro Noleto Bezerra. 2. ed.
1. imp. Brasília: FEB, 2013.
2 ______. ______. Introdução – À primeira edição publicada em janeiro de 1868, p. 9 e 10.
3 ______. ______. cap. 1, it. 13. 
4 ______. ______. Introdução – À primeira edição publicada em janeiro de 1868, p. 10. 
5 ______. ______. cap. 1, it. 13. 
6 WANTUIL, Zêus; THIESEN, Francisco. Allan Kardec: meticulosa pesquisa biobibliográfica. v. 3. 4. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1998. cap. 1 (As obras espíritas de Allan Kardec), p. 286 a 289. 
7 KARDEC, Allan. Obras póstumas. Trad. Evandro Noleto Bezerra. 2. ed. 1. imp. Brasília: FEB, 2013. Pt. 2, Extratos, in extenso, do livro Previsões relativas ao espiritismo, it. Minha nova obra sobre A gênese. 
8 ______. ______. it. Meus trabalhos pessoais. Conselhos diversos. 9 ______. ______. A gênese. Trad. Evandro Noleto Bezerra. 2. ed. 1. imp. Brasília: FEB, 2013. cap. 1, it. 16. 
10 ______. ______. p. 22. 
11 ______. O livro dos espíritos. Trad. Evandro Noleto Bezerra. 4. ed. 3. imp. Brasília: FEB, 2016. q. 625. 
12 ______. A gênese. Trad. Evandro Noleto Bezerra. 2. ed. 1. imp. Brasília: FEB, 2013. cap. 14, it. 7. 13 ______. ______. it. 10, p. 238.


REFORMADOR- ANO 136 | N° 2.266 | JANEIRO 2018