quarta-feira, 12 de abril de 2017

O Livro dos Espíritos - 160 anos - 5ª parte

Mais algumas questões retiradas do Livro dos Espíritos:

Questão 149 - Em que se torna a alma no instante da morte?
- Volta a ser Espírito, quer dizer, retorna ao mundo dos Espíritos, que deixou momentaneamente.

Questão 150 - A alma depois da morte conserva a sua individualidade?
- Sim, não a perde jamais. Que seria ela se não a conservasse?
- Não tendo mais seu corpo material, como a alma constata a sua individualidade?
- Ela tem ainda um fluido que lhe é próprio, tomado da atmosfera de seu planeta e que representa a aparência de sua última encarnação: seu perispírito.
- A alma nada leva consigo deste mundo?
- Nada mais do que a lembrança e o desejo de ir para um mundo melhor. Essa lembrança é cheia de doçura ou de amargura, segundo o emprego que fez da vida. Quanto mais pura, mais compreende a futilidade do que deixa sobre a Terra.

Questão 152 - Que prova poderemos ter da individualidade da alma após a morte?
- Não tendes esta prova pelas comunicações que obtendes? Se não fôsseis cegos, veríeis; se não fosses surdos, ouviríeis, pois frequentemente, uma voz vos fala, revelando a existência de um ser fora de vós.

Questão 154 - A separação da alma e do corpo é dolorosa?
- Não, o corpo sofre, frequentemente, mais durante a vida que no momento da morte; neste a alma não toma parte. Os sofrimentos que experimenta, algumas vezes, no momento da morte, são um prazer para o Espírito, que vê chegar o fim do seu exílio.

Questão 163 - A alma, deixando o corpo, tem imediata consciência de si mesma?
- Consciência imediata, não é bem o termo. Ela passa algum tempo em estado de perturbação.

Questão 167 - Qual é o objetivo da reencarnação?
- Expiação, aprimoramento progressivo da Humanidade, sem o que, onde estaria a justiça?

Questão 171 - Sobre o que está baseado a lei da reencarnação?
- Sobre a justiça de Deus e a revelação, pois, repetimos sempre: Um bom pai deixa sempre aos seus filhos uma porta aberta ao arrependimento. Não lhe diz a razão que seria injusto privar para sempre, da felicidade eterna, todos aqueles cujo progresso não dependeu deles mesmos? Não são todos os homens filhos de Deus? Somente entre os egoístas se encontram a iniquidade, o ódio implacável e os castigos sem perdão.

terça-feira, 11 de abril de 2017

O Livro dos Espíritos - 160 anos - 4ª parte

Novas considerações sobre o Livro dos Espíritos:

Questão 128 - Os seres que chamamos de anjos, arcanjos e serafins formam uma categoria especial de natureza diferente das dos outros Espíritos?
- Não; esses são os Espíritos puros; os que se acham no mais alto grau da escala e reúnem todas as perfeições.

Questão 129 - Os anjos percorreram todos os graus da escala?
- Percorreram todos os graus, mas, como já dissemos, alguns aceitaram suas missões sem murmurar e chegaram mais depressa; outros, gastaram um tempo mais ou menos longo para alcançarem a perfeição.

Questão 131 - Há demônios, no sentido que se dá a essa palavra?
- Se houvesse demônios, eles seriam obra de Deus, e Deus seria justo e bom se houvesse criado seres devotados eternamente ao mal e infelizes? Se há demônios, eles habitam em teu mundo inferior e em outros semelhantes. São esses homens hipócritas que fazem de um Deus justo, um Deus mau e vingativo, e creem lhe serem agradáveis pelas abominações que cometem em seu nome.

132 - Qual o objetivo da encarnação dos Espíritos?
- Deus lhes impõe a encarnação com o objetivo de fazê-los chegar à perfeição. Para alguns é uma expiação, para outros é uma missão. Todavia, para alcançarem essa perfeição, devem suportar todas as vicissitudes da existência corporal; nisto é que está a expiação. A encarnação tem também outro objetivo que é o de colocar o Espírito em condições de cumprir sua parte na obra da criação. Para realizá-la é que, em cada mundo, ele toma um aparelho em harmonia com a matéria essencial desse mundo, cumprindo aí, daquele ponto de vista, as ordens de Deus, de tal sorte que, concorrendo para a obra geral, ele próprio se adianta.

134 - Que é a alma?
- Um Espírito encarnado.
- Que era a alma antes de se unir ao corpo?
- Espírito.
- As almas e os Espíritos são, pois, identicamente a mesma coisa?
- Sim, as almas não são senão os Espíritos. Antes de se unir ao corpo, a alma é um dos seres inteligentes que povoam o mundo invisível e que revestem temporariamente um envoltório carnal para se purificar e esclarecer.

segunda-feira, 10 de abril de 2017

O Livro dos Espíritos - 160 anos - 3ª parte

Mais algumas questões feitas por Kardec aos Espíritos superiores:

Questão 68 - Qual a causa da morte entre os seres orgânicos?
- O esgotamento dos órgãos.
- Poder-se-ia comparar à cessação do movimento de determinada máquina desorganizada?
- Sim; se a máquina está mal montada, a atividade cessa; se o corpo adoece, a vida se extingue.

Questão 76 - Que definição se pode dar dos Espíritos?
- Poder-se-ia dizer que os Espíritos são os seres inteligentes da Criação. Povoam o Universo fora do mundo material.

Questão 78 - Os Espíritos tiveram princípio, ou existem como Deus, de toda a eternidade?
- Se os Espíritos não tivessem tido princípio, seriam iguais a Deus, ao passo que eles são sua criação e submetidos à sua vontade. Deus existe de toda eternidade e isto é incontestável; mas saber quando e como nos criou, não o sabemos. Podes dizer que não tivemos princípio, se entenderdes com isso que sendo Deus eterno, tem criado sem descanso; mas quando e como ele criou cada um de nós, digo-te, ainda, ninguém o sabe; aí é que está o mistério.

82 - É exato dizer-se que os Espíritos são imateriais?
- Como se pode definir uma coisa, quando faltam termos de comparação e com uma linguagem insuficiente? Pode um cego de nascimento definir a luz? Imaterial não é o termo; incorpóreo seria mais exato, pois deves compreender que sendo o Espírito uma criação, deve ser alguma coisa. É a matéria quintessenciada, mas como analogia para vós outros, e tão etérea que não pode ser percebida pelos vossos sentidos.

93 - O Espírito propriamente dito tem alguma cobertura ou está, como pretendem alguns, envolvido numa substância qualquer?
- O Espírito está revestido de uma substância vaporosa para os teus olhos, mas ainda bem grosseira para nós; muito vaporosa, entretanto, para poder elevar-se na atmosfera e se transportar para onde queira.

96 - Os Espíritos são iguais ou existe entre eles uma hierarquia?
- São de diferentes ordens, segundo o grau de perfeição ao qual chegaram.

97 - Existe um número determinado de ordens ou de graus de perfeição entre os Espíritos?
- O número é ilimitado, pois não existe entre essas ordens uma linha de demarcação traçada como uma barreira, e assim se podem multiplicar, ou restringir, as divisões à vontade. Todavia, se consideramos os caracteres gerais, elas podem reduzir-se a três principais.
Podem-se colocar em primeiro lugar aqueles que tenham alcançado a perfeição: os Espíritos puros. Os da segunda ordem alcançaram a metade da escala: o desejo do bem é a sua preocupação. Os da última ordem estão ainda no início da escala: os Espíritos imperfeitos, caracterizados pela ignorância, o desejo do mal e todas as más paixões que lhes retardam o progresso.


domingo, 9 de abril de 2017

O Livro dos Espíritos - 160 anos - 2ª parte

Mais algumas questões do Livro dos Espíritos para nossa reflexão e entendimento:

Questão 21 - A matéria existe desde o princípio, como Deus, ou foi criada por Ele em determinado momento?
- Só Deus o sabe. Entretanto, há uma coisa que a vossa razão deve indicar: Deus, modelo de amor e de caridade, jamais esteve inativo. Por mais distante que se consiga imaginar o início da sua ação, poder-se-á compreendê-lo um segundo sequer na ociosidade?

Questão 22 - Que definição podeis dar da matéria?
- A matéria é o laço que retém o espírito; é o instrumento de que ele se serve e, ao mesmo tempo, sobre o qual exerce a sua ação.

Questão 23 - Que é o espírito?
- O princípio inteligente do Universo.

Questão 35 - O espaço universal é infinito ou limitado?
- Infinito. Supõe-no limitado; que haveria além? Isto te confunde a razão, bem o sei, e, todavia, tua razão diz que não pode ser de outro modo. Ele é como o infinito em todas as coisas; não é na vossa pequenina esfera que podereis compreendê-lo.

Questão 36 - O vazio absoluto existe em alguma parte do espaço universal?
- Não, nada é vazio; o que te parece vazio está ocupado por uma matéria que escapa aos teus sentidos e instrumentos.

Questão 37 - O Universo foi criado ou existe de toda a eternidade como Deus?
- Sem dúvida que ele não pode fazer-se por si mesmo, e se fosse de toda a eternidade, como Deus, não poderia ser obra de Deus.
A razão nos diz que o Universo não pode se ter feito a si mesmo e que, não podendo ser obra do acaso, deve ser obra de Deus.

Questão 43 - Quando a Terra começou a ser povoada?
- No começo, tudo era caos; os elementos estavam em confusão. Pouco a pouco, cada coisa tomou o seu lugar; então, apareceram os seres vivos apropriados ao estado do globo.

Questão 50 - A espécie humana começou por um só homem?
- Não; aquele a quem chamais de Adão não foi o primeiro, nem o único que povoou a Terra.

Questão 53 - De onde vêm as diferenças físicas e morais que distinguem as variedades de raças humanas sobre a Terra?
- Do clima, da vida e dos costumes. O mesmo ocorre com dois filhos da mesma mãe que, educados um longe do outro e diferentemente, não se assemelham em nada quanto ao moral.

Questão 55 - Todos os globos que circulam no espaço são habitados?
- Sim, e o homem da Terra está longe de ser, como crê, o primeiro em inteligência, em bondade e perfeição. Todavia, há homens que se creem muito fortes, que imaginam que somente seu pequeno globo tem o privilégio de abrigar seres racionais. Orgulho e vaidade! Julgam que Deus criou o Universo só pra eles.

sábado, 8 de abril de 2017

O Livro dos Espíritos - 160 anos - 1ª parte

Pela comemoração dos 160 anos deste grandioso livro, iremos transcrever algumas perguntas das 1018 que compõe a obra codificada por Kardec.

Questão 1 - Que é Deus?
- Deus é a inteligência suprema, causa primeira de todas as coisas.

Questão 4 - Onde se pode encontrar a prova da existência de Deus?
- Num axioma que aplicais às vossas ciências: não há efeito sem causa. Procurai a causa de tudo o que não é obra do homem, e vossa razão vos responderá.
Para crer em Deus basta lançar os olhos sobre as obras da Criação. O Universo existe; ele tem, pois, uma causa. Duvidar da existência de Deus seria negar que todo efeito tem uma causa, e adiantar que o nada pode fazer alguma coisa.

Questão 10 - O homem pode compreender a natureza íntima de Deus?
- Não; é um sentido que lhe falta.

Questão 13 - Quando dizemos que Deus é eterno, infinito, imutável, imaterial, único, todo-poderoso, soberanamente justo e bom, não temos uma ideia completa dos seus atributos?
- Do vosso ponto de vista, sim, porque credes tudo abraçar. Mas sabei bem que há coisas acima da inteligência do homem mais inteligente, e para as quais vossa linguagem limitada às vossas ideias e às vossas sensações, não tem expressão adequada. A razão vos diz, com efeito, que Deus deve ter essas perfeições no supremo grau, porque se o tivesse uma só de menos ou não fosse de um grau infinito, ele não seria superior a tudo, e por conseguinte não seria Deus. Por estar acima de todas as coisas, Deus não deve suportar nenhuma vicissitude e não ter nenhuma das imperfeições que a imaginação pode conceber.
Deus é eterno, imutável, imaterial, único, todo-poderoso e soberanamente justo e bom.

Essa é a fé raciocinada, tão bem explicada pelos Espíritos Superiores a Allan Kardec.

sexta-feira, 7 de abril de 2017

O Livro dos Espíritos - 160 anos - Missão de Allan Kardec

Hoje descreveremos aqui algumas ideias que estão registradas dentro do livro, em Prolegômenos (noções ou princípios básicos para o estudo de um assunto qualquer):

"Fenômenos que escapam das leis da Ciência vulgar se manifestam em toda a parte e revelam, em sua causa, a ação de uma vontade livre e inteligente.
A razão diz que um efeito inteligente deve ter por causa uma força inteligente, e os fatos provaram que essa força pode entrar em comunicação com os homens por meio de sinais materiais. 
Essa força, interrogada sobre a sua natureza, declarou pertencer ao mundo dos seres espirituais que se despojaram do envoltório corporal do homem. É assim que foi revelada a Doutrina dos Espíritos.
As comunicações entre o mundo espírita e o mundo corporal estão na natureza das coisas e não constituem nenhum fato sobrenatural. Por isso, delas se encontram vestígios entre todos os povos e em todas as épocas. Hoje, elas são gerais e patentes para todo o mundo.
Os Espíritos anunciam que os tempos marcados pela Providência, para uma manifestação universal, são chegados, e que, sendo os ministros de Deus os agentes de sua vontade, sua missão é instruir e esclarecer os homens, abrindo uma nova era para a regeneração da Humanidade.
Este livro é a compilação dos seus ensinamentos. Foi escrito por ordem e sob o ditado dos Espíritos superiores para estabelecer os fundamentos de uma filosofia racional, livre dos preconceitos do espírito de sistema. Nada contém que não seja a expressão do seu pensamento e que não tenha se submetido ao seu controle. Somente a ordem e a distribuição metódica das matérias, assim como as notas e a forma de algumas partes da redação são obras daquele que recebeu a missão de o publicar.
Entre os Espíritos que concorreram para a realização desta obra, vários viveram em diversas épocas sobre a Terra, onde pregaram e praticaram a virtude e a sabedoria. Outros não pertenceram, pelo seu nome, a nenhum personagem do qual a História tenha guardado a lembrança, mas sua elevação é atestada pela pureza de sua doutrina e sua união com aqueles que trazem um nome venerado.
Eis os termos pelos quais deram por escrito, e por intermédio de vários médiuns, a missão de escrever este livro:
'Ocupa-te com zelo e perseverança do trabalho que empreendeste com o nosso concurso, porque esse trabalho é nosso. (...). 
Estaremos contigo todas às vezes que o pedires e para te ajudar em teus outros trabalhos, porque esta não é senão uma parte da missão que te está confiada, e que te já foi revelada por um dos nossos.
Entre os ensinamentos que te são dados, há os que deves guardar só para ti, até nova ordem. (...).
Coloca na cabeça do livro a cepa de vinha que te desenhamos, porque ela é o emblema do Criador: o corpo é a cepa, o espírito é o licor; a alma ou o espírito unido à matéria é o grão. O homem quintessencia o espírito pelo trabalho e tu sabes que não é senão pelo trabalho do corpo que o Espírito adquire conhecimentos.
Não te deixes desencorajar pela crítica. (...). Mas prossegues sempre. Crê em Deus e caminha com confiança. Aqui estaremos para te sustentar, e está próximo o tempo em que a verdade brilhará por toda a parte.
A vaidade de certos homens que creem tudo saber e querem tudo explicar à sua maneira, fará nascer opiniões dissidentes. Mas todos aqueles que tiveram em vista o grande princípio de Jesus, se confundirão no mesmo sentimento de amor ao bem, e se unirão por um laço fraternal que abrangerá o mundo inteiro. (...).
É com a perseverança que chegarás a recolher o fruto do teu trabalho. O prazer que experimentarás vendo a doutrina se propagar e ser compreendida te será uma recompensa da qual conhecerás todo o valor, talvez mais no futuro que no presente. Não te inquietes, pois, com as sarças e as pedras que os incrédulos ou os maus semearão sobre teu caminho. Conserva a confiança: com confiança tu chegarás ao fim, e merecerás ser sempre ajudado.
Lembra-te de que os bons Espíritos não assistem senão aqueles que servem a Deus com humildade e desinteresse, e repudiam a qualquer que procure, no caminho do céu, um degrau para as coisas da Terra. Eles se distanciam do orgulhoso e do ambicioso. O orgulho e a ambição serão sempre uma barreira entre o homem e Deus; é um véu atirado sobre as claridades celestes, e Deus não pode se servir do cego para fazer compreender a luz.'" (São João Evangelista, Santo Agostinho, São Vicente de Paulo, São Luiz, O Espírito de Verdade, Sócrates, Platão, Fénelon, Franklin, Swedemborg, etc., etc.)



quinta-feira, 6 de abril de 2017

O Livro dos Espíritos - 160 anos - Parte 6

Concluindo o resumo da Doutrina Espírita escrito na Introdução, prosseguimos:

"Os Espíritos são atraídos em razão de sua simpatia pela natureza moral do meio que os evoca. Os Espíritos superiores se alegram nas reuniões sérias onde dominem o amor do bem e o desejo sincero de se instruir e se melhorar. Sua presença afasta os Espíritos inferiores que aí encontram, ao contrário, um livre acesso, e podem agir com toda liberdade entre as pessoas frívolas ou guiadas só pela curiosidade, e por toda parte onde se encontrem os maus instintos. Longe de deles obter bons avisos ou ensinamentos úteis, não se deve esperar senão futilidades, mentiras, maus gracejos ou mistificações, porque eles tomam emprestado, frequentemente, nomes venerados para melhor induzir ao erro.
A distinção dos bons e dos maus Espíritos é extremamente fácil. A linguagem dos Espíritos superiores é constantemente digna, nobre, marcada pela mais alta moralidade, livre de toda paixão inferior; seus conselhos exaltam a mais pura sabedoria, e têm sempre por objetivo nosso progresso e o bem da Humanidade. A dos Espíritos inferiores, ao contrário, é inconsequente, frequentemente trivial e mesmo grosseira; eles se divertem com a credulidade e se distraem às custas daqueles que os interrogam, se vangloriando da sua vaidade, embalando seus desejos com falsas esperanças. As comunicações sérias, não ocorrem senão nos centros sérios, naqueles cujos membros estão unidos por uma comunhão de pensamentos para o bem.
A moral dos Espíritos superiores se resume, como a do Cristo, nesta máxima evangélica: "Agir para com os outros como quereríamos que os outros agissem para conosco"; quer dizer, fazer o bem e não fazer o mal. O homem encontra neste princípio a regra universal de conduta para as suas menores ações.
Eles nos ensinam que o egoísmo, o orgulho, a sensualidade, são paixões que nos aproximam da natureza animal e nos prendem à matéria; que o homem que, desde este mundo, se desliga da matéria pelo desprezo das futilidades mundanas e, pelo amor ao próximo, se aproxima da natureza espiritual; que cada um de nós deve se tornar útil segundo suas faculdades e os meios que Deus colocou entre suas mãos para o provar; que o Forte e o Poderoso devem apoio e proteção ao Fraco, porque aquele que abusa de sua força e do seu poder, para oprimir seu semelhante, viola a lei de Deus. Ensinam, enfim, que, no mundo dos Espíritos, nada podendo ser oculto, o hipócrita será desmascarado e todas as suas torpezas descobertas; que a presença inevitável, e de todos os instantes, daqueles para com os quais agimos mal, é um dos castigos que nos estão reservados; que ao estado de inferioridade e de superioridade dos Espíritos são fixados penas e gozos que nos são desconhecidos sobre a Terra.
Mas eles nos ensinaram também que não há faltas irremissíveis, e que não possam ser apagadas pela expiação. O homem encontra o meio, nas diferentes existências, que lhe permite avançar, segundo seu desejo e seus esforços, na senda do progresso e na direção da perfeição que é seu objetivo final." (O Livro dos Espíritos - Introdução - Item VI).